Entender a diferença entre ação corretiva e ação preventiva é essencial para quem trabalha com sistemas de gestão. Afinal, são elas que mantêm o sistema saudável, ajudam a melhorar os resultados da empresa e garantem a conformidade com as normas.
Essas ações estão presentes em praticamente todas as organizações e em todos os tipos de sistemas de gestão: seja o SGQ (Gestão da Qualidade), o SGA (Gestão Ambiental) ou o SGSSO (Saúde e Segurança Ocupacional).
E o mais interessante é que elas acontecem ao mesmo tempo dentro das empresas, atuando em processos, atividades e situações diferentes.
Mas afinal, qual é a diferença entre elas?
Basicamente, tudo está relacionado ao momento e ao propósito.
A ação preventiva acontece antes de um problema surgir, a ideia aqui é evitar que ele aconteça. Já a ação corretiva entra em cena depois que o problema já ocorreu, com o objetivo de corrigir a causa e impedir que volte a acontecer.
Simples assim: uma evita, a outra corrige. Vamos ver com mais detalhes como cada uma funciona?
Sumário
O que é uma ação corretiva
Como o próprio nome já diz, as ações corretivas servem para corrigir problemas que já aconteceram.
Elas são muito utilizadas quando há uma não conformidade, ou seja, quando algo saiu do padrão esperado.
O principal objetivo aqui é eliminar a causa do problema para que ele não volte a acontecer.
De forma geral, o processo de uma ação corretiva envolve:
- Registrar ou coletar informações sobre o que aconteceu;
- Fazer uma análise detalhada para descobrir as causas raízes do problema;
- Criar um plano de ação com medidas que realmente eliminem essas causas;
- E, depois, verificar se as ações foram eficazes.
Em alguns casos, ainda pode ser necessário monitorar a situação por um tempo para garantir que o problema não volte.
Correção x Ação Corretiva: qual é a diferença?
Essa é uma confusão comum, mas é importante saber diferenciá-las.
Correção é a ação imediata para resolver o problema visível. É o “conserto” momentâneo.
Ação corretiva, por outro lado, vai além da correção: ela busca entender e eliminar a causa raiz que originou o problema, para que ele não volte a acontecer.
O CEO da Qualyteam, Ivan Gonçalves, resume isso em uma frase:
“A diferença entre correção e ação corretiva está na finalidade da ação.
A correção trata o efeito da não conformidade, a ação corretiva a causa.”
Exemplo prático de ação corretiva x correção:
Imagine que um lote de produtos saiu com a cor errada.
A correção seria refazer o lote, entregando o produto com a tonalidade certa ao cliente.
A ação corretiva seria investigar por que isso aconteceu, e, ao descobrir que a máquina estava descalibrada, calibrá-la e ainda implantar um cronograma de calibrações periódicas.
Assim, o erro não se repete.
O que é uma ação preventiva
Enquanto a ação corretiva age depois que o problema aparece, a ação preventiva faz o contrário: ela atua antes, para evitar que algo dê errado.
O foco aqui é antecipar riscos e eliminar possíveis causas de não conformidades antes mesmo que elas aconteçam. E essa é a grande diferença entre as duas.
Para colocar isso em prática, a empresa precisa mapear seus processos, analisar o que pode dar errado e planejar ações para evitar que esses riscos se concretizem.
Além disso, as ações preventivas costumam envolver monitoramento constante e, em alguns casos, até planos de contingência (ou seja, o que fazer se o risco realmente acontecer).
Exemplo prático de ação preventiva:
Voltando ao caso da máquina que interfere na tonalidade do produto: imagine que a empresa perceba, antes de qualquer erro acontecer, que o equipamento pode se desgastar com o tempo e causar variações de cor.
Com base em dados anteriores, ela decide implantar um plano de manutenção preventiva, definindo calibrações regulares e inspeções periódicas.
Em outras situações, pode até optar por trocar o equipamento por um modelo mais resistente ou mudar o método de pintura para algo mais confiável.
Todas essas medidas são exemplos de ações preventivas, pois têm como meta evitar que o problema aconteça, e não apenas corrigir depois que ele surge.
Como a ISO 9001:2015 integra as ações corretivas e preventivas na gestão de riscos
Na versão mais recente da norma, a ISO 9001:2015, o conceito de ação preventiva não aparece mais de forma isolada, mas isso não significa que ele tenha deixado de existir.
Na verdade, ele foi incorporado ao pensamento baseado em risco, tornando a gestão muito mais proativa e estratégica.
Em vez de apenas reagir a problemas (como acontecia com as ações corretivas), as empresas agora são estimuladas a analisar riscos e oportunidades desde o planejamento do seu Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ).
Assim, conseguem prevenir falhas antes mesmo que elas ocorram e fortalecer seus processos continuamente.
Essa mudança reflete uma evolução importante da norma: sair de uma cultura de “apagar incêndios” para uma cultura de antecipar e evitar problemas.
De forma prática, a ISO 9001:2015 estabelece no requisito 10.2.1 que, quando ocorre uma não conformidade, a organização deve:
- Reagir à não conformidade, tomando ações imediatas para contê-la;
- Avaliar a necessidade de ações corretivas, ou seja, eliminar a(s) causa(s) raiz para evitar a reincidência;
- Implementar as ações necessárias;
- Verificar a eficácia dessas ações;
- Atualizar riscos e oportunidades, caso seja necessário;
- E, se preciso, realizar mudanças no sistema de gestão da qualidade.
Essa abordagem está totalmente alinhada ao ciclo PDCA (Plan, Do, Check, Act), especialmente na etapa “Act”, que trata de agir com base nos resultados obtidos.
Quando os resultados são negativos, aplicam-se ações corretivas. Quando há indícios de que algo pode sair do controle, entram em cena as ações preventivas, agora tratadas dentro da gestão de riscos.
Em outras palavras, a ISO 9001:2015 não aboliu o conceito de prevenção, apenas o fortaleceu, tornando-o parte de um processo contínuo de análise e melhoria.
Assim, ao gerenciar riscos e oportunidades de forma estruturada, a empresa:
- Evita que falhas ocorram;
- Identifica pontos de melhoria antes que se tornem problemas;
- E mantém seu sistema de gestão mais robusto, coerente e preparado para mudanças.
Checklist de como aplicar ações corretivas e preventivas na prática
Agora que você já entendeu as diferenças entre ações corretivas e ações preventivas, veja um passo a passo simples para aplicar essas práticas de forma eficiente no seu sistema de gestão:
Como fazer uma ação corretiva
- Identifique a não conformidade — descreva o problema de forma clara e documente as evidências.
- Aja de forma imediata (correção) — contenha os efeitos do problema, se necessário.
- Analise as causas raízes — use ferramentas como os “5 Porquês” ou o Diagrama de Ishikawa.
- Elabore um plano de ação (5W2H) — defina o que será feito, por quem, quando e como.
- Implemente as ações corretivas — assegure que as medidas sejam executadas conforme o planejado.
- Avalie a eficácia das ações — verifique, após um período, se o problema realmente foi eliminado.
- Atualize riscos e oportunidades — analise se as ações geraram novos riscos ou melhorias adicionais.
Como fazer uma ação preventiva
- Mapeie seus processos — identifique etapas críticas e potenciais fontes de falha.
- Analise riscos e oportunidades — utilize dados, históricos e indicadores para prever o que pode dar errado.
- Priorize os riscos mais relevantes — com base em impacto e probabilidade.
- Planeje as ações preventivas — defina responsabilidades, prazos e formas de monitoramento.
- Implemente e monitore — acompanhe os resultados e verifique se as medidas estão prevenindo falhas.
- Revise e melhore continuamente — ajuste o plano sempre que necessário, mantendo o sistema vivo e evolutivo.
O impacto das ações corretivas e preventivas na melhoria contínua
No fim das contas, ações corretivas e preventivas são os dois lados da mesma moeda: uma corrige, a outra evita, e juntas, fortalecem o Sistema de Gestão da Qualidade e impulsionam a melhoria contínua.
Com a ISO 9001:2015, esse processo ficou ainda mais estratégico, já que a prevenção foi incorporada à gestão de riscos, estimulando empresas a anteciparem problemas e aproveitarem oportunidades.
Mais do que cumprir requisitos normativos, adotar essas práticas é investir em eficiência, aprendizado e sustentabilidade dos processos.
E lembre-se: cada não conformidade é uma oportunidade de evoluir.